segunda-feira, dezembro 12, 2011

O EGITO QUE VIVEU EM MIM/ a.C.

Desde sua criação o mundo como um todo que conhecemos foi descrito pela memória, pessoas foram criadas por impulsos de energias que animam os espíritos e todos os seus complexos sistemas de vidas sucessórias; Hoje narro a estória de um velho andarilho do tempo como o vejo, que conta uma história comovente, um tempo que trilho com as palavras que ele soltou livre no ar; Com voz grave e pausada, o velho me disse então;

Me chamei Totvs Flavivs com descendencia de Pompéia, nasci em Aulerci, em 112 a. C., nas  proximidades de Cenomani na Céltica, estudei filosofia, astrologia, matemática, aprendi sobre Deus, nos estudos e disciplinas que me formei, tive como colega por anos, Caio Júlio César Claudiana, que tinha na sua descendencia como octavó deusa Vénus, mãe de Enéas o povoador da península Itálica, vindo do Jordão.

Em uma noite encontrei com Júlio, continuou ele, saímos com céu aberto, lua clara e muitas estrelas, fomos para o bairro Suburra nos divertir era ano 82 a. C., com sentimentos fúteis como desejos eminentes, bebemos vinho e nos esquecemos dos sentidos em sentinela, ficamos expostos ao acaso dos acontecimentos, da noite que entrava em nós entorpecidos pelo desejo pagão.

Sabendo da farra juvenil, Lúcio Cornélio Sila, ditador inimigo da família de Júlio César articula rapidamente uma emboscada, manda uma escolta armada pessoal que prende Júlio e eu numa prisão, trancados na cidade de Gália; Começava ali uma transformação que mudara toda a sequencia das duas vidas na prisão, Júlio César e eu, no oposto que se difere e se distância do vinho e do pão.

Foram anos de refazimento intimo e pessoal; Lutei contra meus pensamentos mais insanos, de alguma forma sabia ser engano dar razão ao meu ódio, tremia de frio na cela úmidecida, tremia de medos que abrisse a porta que sai no meu sertão. Falei com Deus, pedindo perdão e nas noites com voz em oração, O sentia ao meu lado, o meu consolo irmão, enquanto isso ouvia crescer a raiva e a revolta nos sentimentos e palavras de Júlio César no seu carcere com a sua solidão.

Escreveu poesia, mas também aprendeu sobre a arte da guerra, alimentou a vingança com o tempo, os dias eram longos e as horas sem relógio, sem sol teimavam em passar, ao anoitecer abria meu livro da vida com capa de couro e lia em voz alta sobre Deus, o som ecoava pelas galerias vazias da prisão, as grades ouviam em silêncio a minha citação. Já quando amanhecia ouvia gritos que vinham do corredor, uivos de lamentos, juravam vingança, morte e destruição, Júlio César se desesperava; Em 78 a. C. morre o ditador Cornélio Sila e, em liberdade parto para o Egito, através do deserto seguia pregando a palavra de Deus no seu testamento para Fariseus e Ateus que perambulavam por dunas em demência, tive sede, senti fome, meus pés ardiam como arde o fogo do firmamento, superei a tentação do desejo e da paixão que criei em mim um dia como lição.

Júlio César regressou à Roma, serviu ao exercito na Ásia e Cilícia, atual Turquia, depois exercendo direito no fórum romano destacou-se, começava ali sua politica e seu nome ecoava conhecido pelos cantos, Júlio César marcava na história o papel com glórias e escrito com a tinta de sangue dos exércitos mortos; Em 69 a. C. foi eleito Júlio César Questor, magistrado especialista em finanças, por assembléia do povo, assumindo em gestão a província romana de Hispano Ulterior, quatro anos depois em Adil, obras públicas; Em 63 a. C. tornou-se Pontifex Maximus, sumo sacerdote, a religião romana estava ligada assim ao Estado corrompido, promovido a Juiz, e um ano depois governador da Hispano Ulterior, selando assim com sua ambição.

No ano 59 a. C. foi condecorado com  o título de Cônsul, chefe de governo pela primeira vez, já em 58 a. C. iniciou campanha militar pela conquista de Gália que durou até 52 a. C. o Historiador Plutarcio testemunhou como saldo dessa guerra, 800 cidades capturadas, 300 tribos submetidas, um milhão de gauleses escravizados e outros trés milhões de mortos nos campos de batalha.
Em 50 a. C. o senado romano liderado por Pompeu ordenou o regresso de César e a desmobilização das suas legiões que dominavam Gália e uma vasta região

O então Imperador Júlio César não cumpriu a ordem e atravessou o Rubicão norteando a Itália e deu inicio a guerra civil por dois anos; Em 48 a. C. com seus exércitos derrotou definitivamente Pompeu em Farsala, regressou à Roma e se tornou ditador, consolidou o domínio por campanhas complementares no Egito, na Africa, na Espanha de 48/45 a. C., sendo mais cruel que Napoleão.

Em Roma torna-se cada vez mais monarquista com poderes ditatoriais, tornando-se um publicano e por fim, converteu a República Romana em Império e ele na condição de deus vivo, enriqueceu a cidade se mostrou generoso e desigual ao cidadãos romanos, introduziu importantes reformas administrativas e estabeleceu cidadania a outras regiões do império, reformou o calendário onde encenou os séculos de confusão causados pela defasagem entre o ano lunar e o solar, nesse tempo envolve-se com Cleópatra a quem fez rainha do Egito, até então a mais rica das províncias romanas como nação.

O senado romano desaprova a união e usou de pretexto para difamá-lo, em oposição por interesse, temendo acabar definitivamente a República e centralizar o poder em suas mãos e pôder transmiti-lo a um descendente, começava  a conspiração para matar o mito César o que aconteceu em 44 a. C. Júlio César o homem sentindo-se velho, cansado e sofrendo de epilepsia, deixou-se matar, acreditando com isso que seu sucessor no governo seria o herdeiro legal, Otaviano Augusto, o que aconteceu tempos depois; No seu testamento deixou seus bens para o povo, que incentivado por Marco Antônio, reagiu contra os conspiradores, forçando-os a fuga da cidade, da fúria em comoção.

O velho dizia em destaque; Que além do talento militar, César teve também uma grande atuação intelectual em Roma, foi orador elogiado por Cicero, o maior dos oradores romanos, escreveu poesia e dois livros sobre gramática latina, sua obra principal chama-se, "Comentários", com sete livros sobre a guerra de Gália e guerra civil, onde objetivo e imparcial, defende-se das muitas acusações que lhe foram feitas por seus críticos, que lhe causou muita opressão.

Hoje cito essa história sem criticas, apenas como exemplo da trajetória das nossas vidas sucessivas, as escolhas e opiniões, provas e expiações, de glória e de perdição do homem que foi um mito. Teve tudo que quis nas mãos, amor, traição, conquistas e derrotas, declarando-se um deus em seu delirio do poder, perdi meu amigo naquela prisão, Júlio nunca mais foi visto, depois que rumou para a região do Umbral, zona dos aflitos, de assombração e dos abismos, ás vezes ainda ouço seus gritos que ecoam na escuridão, meu desejo é que você leitor, que me lê agora, passe tudo isso que foi lido pelo crivo de cada  razão, que seja você o juiz e feche os olhos, medite, reflita sobre as coisas que vem do além, para onde vocês todos vão.

FYI:
Para Seu Conhecimento:
Quando Gália prendeu meu corpo, libertou meu espírito das grades do meu cárcere nos fundos do meu coração.

E assim ouvindo estas palavras soltas ao vento, assim as publiquei, como as escutei, dando à César o que é de César.

Esse poste foi elaborado com nomes e datas reais, por pesquisa e rascunho ilustrado pela palavra como inspiração. Qualquer semelhança terá sido mera coincidência da imaginação.

P.S. Ao leitor mais atento, Totvs Flavivs foi o único nome criado.

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