
Há alguns dias comemoramos o dia do Índio, e hoje não por acaso tive a oportunidade de participar de uma grande festa. “A celebração da 75º festa de Nossa Senhora do Pilar”, que também comemorou a descoberta do Cemitério do Pilar, por ironia atrás da capela.
A história narra que em 1883, improvisa-se um cemitério nos fundos da capela, sabia-se que lá, índios, negros e brancos eram sepultados; o primeiro branco foi Joaquim Mariano, até então os sepultamentos eram realizados dentro da própria capela, o que deve ter acontecido em 1739, com o Capitão Mor Correa de Lemos, então este seria o primeiro cemitério da cidade.
Já em 1908, com problema de espaço o Sr José Franchi doou uma área no bairro Santana para a Prefeitura de Ribeirão Pires, que em 1910, por lei municipal passou-se a chamar; Cemitério São José, sendo para o local transferido, 35 restos mortais do antigo Cemitério do Pilar.
Conta um Cacique, que na lacuna do tempo entre 1553 (Fundação de Santo Andre da Borda do Campo), e 1677 (Chegado do Capitão Mor), segundo a cultura indígena, o local já servia de cemitério de Caciques e Pajés, o que pode também ser comprovado nos textos históricos, justificando inclusive a vinda do capitão Mor.
Segundo um historiador WS, com o apossamento ilegal dos intrusos na aldeia URURAI, depois chamada São Miguel, muitos índios espalham-se pelo território acima, alcançando inclusive a região Ribeirãopirense.
Em 1739, morre o capitão Mor e o lugarejo é abandonado, ficaram cuidando do local o negro Inácio e o filho do próprio capitão, que mais tarde deixa o lugarejo e retorna para as Minas de Ouro no Mato Grosso.
Nesse período a diocese relatava a falta de um sacerdote no lugarejo devido a dispersão dos moradores na localidade, em 1809, presumisse que fazendeiros da região, como os capitães João Franco da Rocha e João José Barbosa Ortiz, colaboraram com a reforma da capela, construindo assim a torre da igreja de Nossa Senhora do Pilar.
Segundo as tradições indígenas os corpos eram enrolados em uma rede e enterrados a três palmos abaixo e em cima era se plantado uma muda de pinheiro cipreste, arvore de origem européia que era dada aos índios para sinalizar o local do sepultamento, isso por ela ser ornamental e de grande longevidade.
A descoberta da origem foi protocolada no cartório como terreno Sagrado, as 17 arvores plantadas ao redor sinalizam conforme costume guarani solo sagrado.
A forma que a Capela do Pilar foi construída também da indícios de que naquele local havia a Oca-Mãe de uma aldeia, onde eram realizados rituais espirituais da tribo.
Esse resgate turístico e cultural é importante para destacarmos os verdadeiros sentidos das coisas, é passado à hora do nosso resgate com os ancestrais dessa terra, já que bem antes de Álvares Cabral povos guaranis respeitavam esse solo e ali estão seus Deuses.

Aproveitando o momento de descoberta e comemoração, para pedir aos Srs. Prefeito do município de Ribeirão Pires e seus secretários da área,(Luiz Gustavo Pinheiro Volpi), que revejam os fatos e façam justiça aos povos indígenas que viveram ali, a mesma lei municipal de 1910 que alterou pode hoje demolir a capela; é o mínimo para tentar resgatar algo, em seu lugar construir uma escultura em forma de Oca-Mãe entendendo que o Deus do homem não pode ser maior que dos índios que viveram dessa aldeia muito antes dos europeus saberem de sua existência, devolvendo as seus espíritos o solo sagrado do seu templo, e não a capela católica que a eles representa o extermínio do seu povo, suas culturas e dos seus deuses.
Não promovam shows ali, nem missas, apenas respeitem como solo sagrado e local de grande espiritualização.
PS: Os 4 elementos é lindo, ficou perfeito!
Ótima postagem, essa sobre a memória viva indigena. Gostaria, entretanto de ter um espaço maior para comentar sobre o assunto.
ResponderExcluirJou J A Ramos ( autor intelectual de todos os textos alí postados. Membro de uma equipe muito numerosa que pela primeira vez, ousou falar do índio em sua festa histórica.