A rede de proteção social de FHC
Para ficar no exemplo mais recente, a presidente não tem o direito de ignorar que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), ao mesmo tempo em que atacou a inflação e instituiu o tripé macroeconômico em que se apoiou o lulalato para surfar na prosperidade — metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal –, foi quem instituiu o que chamou de “rede de proteção social”.
Programas como o Bolsa-Educação, o Bolsa-Saúde, o combate ao trabalho infantil mediante recompensas materiais à família das crianças etc. Tudo com contrapartida de cidadania: o objetivo não era apenas de melhorar o rendimento de famílias pobres, mas induzi-las a manter os filhos na escola, fazer com que as gestantes realizassem os exames pré-natais necessários, que os pais vacinassem os filhos — e por aí vai.
Volta o “nunca antes”, embora sem a voz roufenha
Lula juntou injetou mais dinheiro nos programas e juntou tudo no Bolsa-Família, enquanto o controle do cumprimento das contrapartidas de cidadania, antes descentralizado e a cargo de quem entendia do assunto, em coordenação com Estados e municípios — temas de educação com o Ministério da Educação, de saúde com o respectivo Ministérioi, de trabalho infantil com o Ministério do Trabalho e assim por diante –ficou centralizado no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Isso provocou meses de tumulto e de descontrole no atingimento dos objetivos de cidadania, embora, inegavelmente, 8 anos de pesados investimentos no Bolsa Família, apesar das muitíssimas denúncias de fraude no recebimento do dinheiro, hajam trazido uma substancial melhoria de vida a milhões de brasileiros.
A presidente, porém, não precisa exagerar. Não é necessário nem desejável que volte ao “nunca antes neste país”, desta feita sem voz roufenha.
Nem o “pai dos pobres” foi lembrado
Até Getúlio Vargas, o “pai dos pobres”, introdutor de vasta legislação social no Brasil e a quem Lula, como sindicalista, atacava, e ao qual, como político, passou a admirar, a presidente deixou de lado.
Calma, presidente Dilma o povo vem da terra, é de barro.


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