“Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor prá valer, só acontece
uma vez, geralmente antes dos trinta.
Não contaram pra nós que o amor não é acionado, nem chega com hora
marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e
que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.
Não contaram que já nascemos inteiros, e que ninguém em nossa vida merece
carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada ‘dois em um’: duas pessoas
pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava.
Não nos contaram que isso tem nome: anulação. E que só sendo indivíduos
com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.”
Nunca antes o amor foi tema de
tantos textos, estudos, experiências e obras literárias.
Conforme a experiência e
inteligência humana vêm se transformando, transmuta-se também nossa forma de ver
e viver muitas coisas.
Assim, caem mitos e erguem-se
novas verdades, mais maduras, mais equilibradas...
Qualquer cogitação mais
aprofundada, hoje nos mostra que a idéia de não sermos completos, de que
precisamos de uma suposta outra “metade”, para que só assim possamos ser
felizes, é bastante absurda, e no mínimo questionável.
A imagem romântica das “duas
partes”, da união entre dois seres, é, sem dúvida, repleta de beleza, mas só
a evolução do pensamento para nos mostrar belezas mais grandiosas ainda.
O quanto é belo e esperançoso
saber que podemos encontrar felicidade não apenas com uma alma, mas com várias!
E aqui a palavra “com” é
deveras importante, pois vamos descobrir que não encontraremos a felicidade
“nas” pessoas, mas “com” elas.
A felicidade é nossa
responsabilidade, é conquista individual.
Quanta alegria no coração
daqueles que “perderam” grandes amores, e que descobrem poderem ter
muitos deles nesta e em outras existências!
Quanto consolo para as lágrimas
dos que amaram e não foram correspondidos, para os que sofreram os reflexos da
imaturidade e desequilíbrio de seus amados.
Há muito para amar. Há muitos
para amar. Proclama a verdade da razão.
Muito para aprender na vida a
dois, na convivência diária com as diferenças, e nelas o grande segredo do
crescimento.
Desfrutamos do conforto e
proteção das naves da felicidade, em nosso castelo “lar”, graças às
afinidades, é certo.
Porém, são a sabedoria e a
maturidade conquistadas na convivência com as diferenças, as grandes
construtoras dessas paredes vastas e rígidas que asseguram o sucesso na
empreitada doméstica.
A visão ampla e definida que já
podemos ter, nos mostra de um lado a anulação, do outro a tirania e a dominação,
e faz-nos assim escolher o caminho do meio.
O caminho da individualidade
completa na essência, que na convivência com outros vai se moldando e crescendo,
perfectível que é, por natureza.
Você sabia que as almas gêmeas
no sentido absoluto do termo não existem?
“Deus jamais criaria Seus filhos pela metade. Seriam incompletos.
Trata-se, sem embargo, de uma expressão poética, exatamente para
representar aqueles indivíduos que têm excelente encaixe psicológico de tal modo
que se complementam psíquica e afetivamente.
Não passa de um símbolo para exprimir os grandes entrosamentos psíquicos,
as grandes afinidades entre almas.”

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